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segunda-feira, setembro 16
acumuladores compulsivos

Conheça os Acumuladores Compulsivos e entenda suas histórias

O programa Acumuladores Compulsivos é sucesso de público desde a sua estreia em 2009, mesmo exibindo imagens simplesmente desesperadoras. O programa mostra em detalhes a situação de alguns acumuladores e oferece auxílio para o tratamento.
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No ar desde 2009, a série Acumuladores Compulsivos já teve três versões em três canais diferentes. Com um formato que alia traços de um reality show com documentário, a produção conta com um novo participante a cada episódio e mostra em detalhes a situação desesperadora que alguns acumuladores podem chegar. 

Com a ajuda de especialistas tanto em limpeza pesada, quanto de psiquiatras especializados em acumulação, a equipe do programa vai até a casa de pessoas que sofrem com esse tipo de transtorno e, durante uma semana, a auxiliam com tratamento psiquiátrico, apoio jurídico e obviamente, com a limpeza do local. 

Com situações inacreditáveis de tão precárias e algumas brigas, o programa pode até causar uma certa repulsa no público, mas isso não o impede de ser sucesso de audiência desde a sua estreia, há quase uma década. 

Falta acesso a certos cômodos da casa - Programa acumuladores compulsivos

Em alguns casos, o acumulador acaba perdendo totalmente o acesso a certos cômodos da casa. Fonte: A&E

O Transtorno de Acumulação

O que parece uma mania feia que acabou fugindo do controle, na verdade é um grave problema psicológico, clinicamente diagnosticável e chamado de Síndrome de Diógenes, ou disposofobia. A faculdade de medicina de Yale realizou um estudo que foi publicado na Archives of General Psychiatry, analisando 43 adultos diagnosticados com o transtorno de acumulação e 33 pessoas consideradas saudáveis.

No estudo, todos os pacientes que participaram foram expostos a uma pilha de itens durante uma ressonância magnética. Cada participante teve que levar 50 itens de sua casa, como papéis e jornais velhos e, durante a ressonância, eram questionados se gostariam de guardar ou descartar tal item. 

Os resultados indicaram que pessoas diagnosticadas com o transtorno de acumulação escolheram descartar, em média, 29 dos 50 itens, enquanto os demais pacientes descartaram, em média, 40 dos 50 itens exibidos durante o exame. Além disso, o estudo também comprovou que os acumuladores levavam cerca de 2,8 segundos para tomar a decisão, enquanto as pessoas consideradas saudáveis responderam com uma média de 2,3 segundos. 

Como identificar os sintomas? 

Os sintomas podem variar, mas muitos deles são extremamente visíveis, como por exemplo:

  • Dificuldade exagerada para descartar objetos, principalmente os que não têm utilidade aparente;
  • Grande dificuldade de organização dos seus pertences;
  • Acumular esses objetos em diferentes pontos da casa;
  • Sentir medo excessivo da possibilidade de ficar sem algum objeto, mesmo que ele não tenha utilidade aparente;
  • Procurar e colecionar coisas mesmo quando a pessoa já possui outros itens iguais e, principalmente, se ela já não usa aquele que possui. 
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Como os acumuladores compulsivos chegam a esse ponto? 

A disposofobia vai muito além de uma mania ou costume de colecionar alguns objetos, e as cenas aterrorizantes exibidas no programa Acumuladores Compulsivos comprovam isso. Com situações onde os participantes entopem cômodos inteiros com itens inúteis, ou até mesmo casos onde a higiene básica é completamente ignorada, as situações apresentadas são quase que inacreditáveis e, no mínimo, desesperadoras. 

Uma pessoa diagnosticada como a síndrome de Diógenes traz como principal sintoma uma distorção da realidade onde a pessoa simplesmente não percebe que sua “mania” já não é mais tão inofensiva assim. Além disso, o estudo realizado em Yale também comprovou que acumuladores sofrem com ansiedade, indecisão e profunda tristeza, além da constante negação sobre sua situação. 

O estudo comprovou ainda que pessoas diagnosticadas com esse transtorno de acumulação basicamente sentem um medo exagerado em descartar objetos, mas não apenas na decisão sobre o descarte como também se culpam antecipadamente pela possível escolha “errada”, quando decidem descartar algo que “pode ser necessário depois”. 

Os casos são cada vez mais desesperadores - programa acumuladores compulsivos

Os casos são cada vez mais desesperadores e inacreditáveis. Fonte: A&E

Ética e profissionalismo de Acumuladores Compulsivos

O programa Acumuladores Compulsivos traz uma abordagem que pode ser considerada invasiva em situações onde o transtorno de acumulação realmente chegou a níveis catastróficos.

Em alguns casos, até mesmo a saúde e segurança do acumulador estão ameaçadas, com casas transformadas em armadilhas mortais em caso de incêndio ou situações ainda mais alarmantes como pacientes que se alimentavam das suas próprias fezes. 

E o problema não se limita apenas à situação em que esses acumuladores estão vivendo: o estado de negação, bastante característico da doença, pode desencadear comportamentos agressivos que rendem várias discussões e, em alguns casos mais graves, até mesmo tentativas de agressão. 

Devido a gravidade da situação, o programa se preocupa e sempre se posicionou muito bem sobre as questões éticas em torno do participante: todas as visitas são realizadas com equipes devidamente credenciadas, que contam com psiquiatras, terapeutas, equipes de limpeza de risco biológico e organizadores profissionais. 

Por se tratar de um transtorno psicológico, os terapeutas geralmente são os responsáveis pelo primeiro contato com o acumulador durante o programa, além de que eles também estão presentes durante todo o processo, conversando com o participante e garantindo que ele entenda o que está acontecendo, além de ser responsável pelo encaminhamento posterior para dar sequência ao tratamento. 

Além do apoio de terapeutas e organizadores profissionais, a equipe também fornece apoio jurídico, caso seja necessário. 

Quintais da casa - acumuladores compulsivos

Em algumas situações a acumulação é tamanha que ocupa até os quintais da casa. Fonte: A&E

Três emissoras, três versões

A versão original de Acumuladores Compulsivos estreou no canal americano A&E, em agosto de 2009, e foi finalizada no início de 2013, com seis temporadas completas. Pouco mais de um ano após a finalização do programa, o canal Lifetime começou a produzir uma sétima temporada, sub-batizada de Acumuladores: Segredos de Família, que ficou no ar de 28 de maio a 30 de julho de 2015. 

Com o sucesso dessa sétima temporada mesmo após o cancelamento da série, o programa passou a ser transmitido novamente no canal A&E. A oitava temporada foi dividida em duas partes: a primeira chegou ao público em 3 de janeiro de 2016, e a segunda estreou em 21 de agosto de 2016, sob o subtítulo de Acumuladores: Antes e Agora.

Essa nova versão usada na segunda parte da oitava temporada exibia algum episódio das temporadas anteriores seguido por uma visita atual do terapeuta na casa do acumulador, além de entrevistas com o avaliador do caso e com a família do acumulador, revelando como suas vidas mudaram desde a participação no programa.  

A nona temporada estreou no dia 19 de dezembro de 2016, contando com vários episódios das temporadas anteriores sendo reexibidos em versões estendidas, incluindo imagens inéditas e atualizações sobre cada caso. 

Onde posso assistir? 

Todos os episódios ganham pequenos resumos de, em média, 3 minutos de duração, que são divulgados no canal do YouTube do A&E, onde você também pode encontrar alguns episódios completos de Acumuladores Compulsivos e outros programas da emissora. Além do canal no YouTube, também é possível assistir o programa na plataforma digital do canal ou mesmo nos pacotes de TV por assinatura da Claro.

Veja também o nosso texto sobre o programa SOS Restaurante, um reality show em que restaurantes que estão próximos à falência recebem a ajuda do chef Robert Irvine.